Iniciei minha trajetória como consultor de empresas em 1985. Quatro décadas depois, posso afirmar com alguma autoridade: já vi muita coisa. Inclusive, muita coisa se repetir, principalmente quando olhamos para a área de Recursos Humanos.
Mas hoje, não quero falar sobre as funções básicas do RH ou do DHO — recrutamento, seleção, clima, benefícios, PDI e por aí vai. Isso é o “mínimo esperado”. Quero provocar uma reflexão mais profunda.
E se o DHO assumisse o protagonismo como alavanca de crescimento e geração de resultados para o negócio?
Sim. O DHO pode (e deve!) ser corresponsável pelo atingimento das metas e resultados comerciais da empresa.
Há um oceano de possibilidades nesse caminho. E o mais interessante: são ações com resultados robustos, estruturantes e transformadoras.
Diferente de campanhas pontuais ou paliativos, aqui estamos falando de raiz, não de folhas.
O time precisa de desenvolvimento contínuo. Treinamento. Energia. Clareza. Propósito. E ferramentas para manter o “facão afiado”. E claro, para isso precisa de investimento.
Mas esbarramos em dois grandes obstáculos:
❌ A mentalidade da alta gestão;
❌ A desculpa eterna: “não temos budget para investir”.
É recorrente escutar:
— “Queremos implantar um programa de formação para o time.”
— “Ah… mas o budget foi negado.”
O resultado? Remendos. Desperdícios. E muito dinheiro deixado na mesa.
Enquanto isso, vemos empresas investindo milhões em estruturas físicas, máquinas, softwares e ambientações luxuosas. Mas… quando o assunto é gente? O investimento desaparece.
Recentemente, ouvi um empresário do varejo brasileiro declarar que investe entre R$ 50 e R$ 100 milhões para abrir uma única nova loja. Fiquei me perguntando: será que 1% disso é destinado à formação e desenvolvimento da equipe que irá operar essa loja?
Por outro lado, tenho orgulho de atender empresas que fizeram do desenvolvimento humano um pilar estratégico. Empresas como Gazin, O Boticário, Grupo Barigui e Lojas Cem, que adotaram o mantra do treinamento contínuo.
O resultado?
Cultura forte, turnover controlado, performance em alta.
Porque no fim do dia, gente bem treinada entrega mais, se engaja mais e permanece mais.
Simples assim. Mas, repito: precisa de investimento.
Pessoas são como pratos girando no alto de uma vareta. Se o responsável não colocar energia constantemente… o prato cai. E quebra.
Aliás, para quem vive reclamando de turnover… já parou para refletir sobre as causas reais disso?
Agora me diga você: sua empresa é daquelas que investem R$ 100 milhões na loja e economizam R$ 100 mil nas pessoas?
Se quiser virar esse jogo, dá pra começar com uma mudança de mentalidade.
O resto… é consequência.
